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Muralhas de Campina Grande: driblando as dificuldades e ajudando a alcançar objetivos.

“Por que acima de tudo tem o amor né, a paixão à posição... E esse amor é que faz a diferença.”.

Por: Gabriel Pereira.


Alunos e preparadores de goleiros que compareceram ao treino dos Muralhas de Campina Grande, realizado no dia 03/04/2019. Foto – Gabriel Pereira.

Quarta- feira, 3 de abril de 2019. Acordei às 4:55 da manhã e às 5:30 me dirigi até o campo do Vila Branca, em Campina Grande, para acompanhar o treino dos Muralhas de Campina Grande. O projeto que leva o nome da cidade tem o objetivo de capacitar e aprimorar os fundamentos de goleiros.

O meu intuito de ir até lá, era filmar e tirar fotos dos alunos, assim como dos treinamentos aplicados. Após isso, o idealizador do projeto aceitou o meu convite e respondeu algumas perguntas sobre o grupo.


Tendo colocado os pingos nos “i”, chegou a hora de falar sobre a experiência e o projeto em si. O responsável pelo projeto é o preparador Ewerton Araújo, conhecido também como Wertinho e ele conta com a ajuda de mais dois assistentes: Andreon Alves e Severino Lino da Costa.


De acordo com Ewerton, a ideia partiu da necessidade de um treinamento mais específico para a posição de goleiro na cidade.


“Essa foi uma ideia que eu tive há oito anos. Eu vi que necessitava de um treinamento de goleiros aqui, em específico aqui na cidade... Até então nunca teve e creio eu que os Muralhas de Campina Grande é a primeira escola de goleiros aqui, acho que até a nível nordeste.”, diz o preparador.

Ewerton também fala sobre os objetivos do Muralhas: capacitar os alunos o máximo possível e descobrir talentos.


“O objetivo dos Muralhas é o seguinte: tentar deixar o máximo possível todos os goleiros bem na posição, (...) se saindo muito bem nas competições. Tanto que hoje os meus goleiros estão indo muito bem na posição, quando disputam campeonatos são campeões, chegam até a ganhar troféu de melhor goleiro e claro descobrir talentos.”, comenta ele.

Voltando para o treino de quarta (03/04), segundo o preparador, eu compareci justamente no dia em que iria ter o treino específico para goleiro.

“O primeiro dia da semana geralmente, eu elaboro um trabalho de força, trabalho de carga, sendo que ai os atletas usam também. Já no segundo dia, já é mais um trabalho com bola, trabalho mais com a situação de jogo.”


Quer saber mais sobre o treino? Então veja aqui todo o treino da quarta- feira (03/04/2019) dos Muralhas de Campina Grande.



O que eu percebi da metodologia adotada foi que há uma exigência muito grande sobre o aluno, tanto tecnicamente, quanto fisicamente. Ou seja, o treinamento de goleiro é algo singular e rigoroso. A respeito disso, o preparador fala que fez o curso da ABTG - Associação Brasileira de Treinadores de Goleiros - e que durante esse curso, ele aprendeu muita coisa com outros treinadores, citando nomes como Mauri Lima, ex- treinador de goleiros do Corinthians-SP.

“Eles sempre me passam materiais quando eu venho estudando... A gente tem que sempre atualizado nos treinamentos a nível mundial e eu tenho passado isso para os meus goleiros aqui... Graças a Deus tá sendo muito proveitoso.”

Partindo para o material utilizado no projeto, algo que me deixou curioso desde o início era como Ewerton o mantinha e se ele contava com o apoio de alguém, ou algo do tipo. Segundo ele, todo o material é comprado com todo mundo dando uma parte do dinheiro.


Assim, a mensalidade custa R$25,00 por mês, porém tem alguns que não tem condições de dar. Acho que são dois ou três... No máximo cinco que tem condições de pagar esses R$25,00... E são com esses R$25,00 por mês junto com o meu, que a gente consegue comprar bolas, cones, essas coisas.

Ele também comenta sobre o local dos treinamentos e o descreve como inapropriado. Porém, no final da sua fala, Ewerton pondera que isso tudo é driblado pelo empenho em continuar realizando o projeto, principalmente por parte dos alunos.

(...) É complicado viu? O campo não ajuda, deveria ter treino específico para goleiro no gramado, enfim. As condições pra goleiro ali é muito ruim. Mas o pessoal sem empenha ao máximo pra vim, porque acima de tudo tem o amor né, a paixão à posição e esse amor é que faz a diferença.


Momento de descontração no treino dos Muralhas de Campina Grande; Foto - Gabriel Pereira.

Pegando o gancho dessa última fala, como o título dessa matéria enfatiza, os Muralhas de Campina Grande visam fazer com que os alunos driblem esses obstáculos e conquistem seus objetivos. Ewerton enfatiza que as condições são muito ruins, porém, os sonhos de alguns garotos se sobressaem e devido a isso o projeto se mantém.


“(...) As condições são críticas, são muito ruins... Mas a gente tenta realizar o sonho de alguns, pelos menos daqueles que a gente vê que tem grande potencial. Já apareceu oportunidades em clubes grandes aqui para alguns.”

Exigência de atributos aos novos goleiros e falta de oportunidade para os garotos no estado da Paraíba.

Ewerton Araújo: “(...) os caras só querem goleiros acima de 1,85m.”.

Passado por tudo isso que já foi descrito acima, para aqueles que se destacam, ainda surge novos desafios: ter os atributos necessários para ingressarem nas bases dos clubes de futebol ou até mesmo no profissional e oportunidades nos clubes da cidade. De acordo com Ewerton, uma exigência dos clubes hoje em dia é que o goleiro tenha pelo menos 1,85m.

“E nós aqui já descobrimos alguns talentos, porém, o que acontece... Hoje o mercado do mundo do futebol dos goleiros não é como antigamente. (...) Todos os clubes independentemente de serem da Europa ou do Brasil, principalmente do Brasil, os caras só querem goleiros acima de 1,85m.”, comenta o preparador.

Ainda de acordo com ele, os Muralhas já tiveram casos em que os alunos eram bons goleiros, porém, não possuíam a estatura necessária.

“Nós já tivemos uns três goleiros aqui que são excelentes goleiros, de grande potencial, porém, não tinham a altura suficiente pra esses clubes.”

Foto do treinamento realizado no dia 03/04/2019. Foto: Gabriel Pereira;

Entretanto, há também aqueles se destacam e possuem a altura exigida. Ewerton fala sobre isso e vê com bons olhos os talentos dos alunos que participam do projeto.

treinando com dois garotos, um com 16 anos, que tem 1,92m... Esse sim, já apareceu alguns clubes como o Coritiba–PR e o América –MG. (...) E tem o outro goleiro também, que tem uma altura boa, que é de 1,85m, tá no limite... É um baita de um goleiro, que é o João e a gente tá batalhando ai pra conseguir algo pra ele.

Partindo para as oportunidades dadas aos garotos no próprio estado da Paraíba, Ewerton relata que eles não recebem oportunidades e ressalta que os clubes fecham as portas para quem é da cidade.

“Aqui no estado da Paraíba, pra um garoto se profissionalizar é muito raro, muito difícil. Os clubes da Paraíba não dão oportunidades às pessoas da casa, fecha às portas para quem é da cidade, isso é fato, isso é notório. Infelizmente, é assim.”, diz Araújo.

Foto do treinamento realizado no dia 03/04/2019. Foto: Gabriel Pereira;

Porém, ele alega que o empenho continua, mesmo com a falta de espaço para os garotos.

“Mas, a luta continua, a gente tem que buscar conhecimentos que faz com que alguns garotos vão para fora, porque se depender daqui do estado, eles não crescem.”

A presença feminina nos Muralhas de Campina Grande.


Uma grata surpresa em minha ida ao treinamento dos Muralhas.

Confesso, a última coisa que pensei ao sair de casa no dia da gravação foi que haveria uma garota entre os participantes do projeto Muralhas de Campina Grande. Cheguei no local do treino e me deparei com Ana Carolina Silva Cirino, conhecida como Carol, ajudando nos preparativos para dar início aos treinamentos.



Muralha Carol, como foi destacada na página do projeto do instagram. Foto: Gabriel Pereira;

Como já havia falado anteriormente, o que eu percebi é que os treinamentos praticados naquele dia exigiam muito do aluno, tanto fisicamente, quanto na parte técnica (saber os fundamentos específicos). O que me impressionou foi que ela estava aguentando o treino muito bem na parte física e mesmo com alguns equívocos na parte técnica, ela estava disposta a repetir o fundamento ouvindo sempre muito atenciosa o que Wertinho falava.


Em um meio que a presença feminina está cada vez mais presente, espero que mais garotas se interessem em participar do projeto, assim como, o projeto abra as portas para mais alunas integrarem ele. O assunto é delicado, sim, com certeza, e as condições não são das melhores, como Ewerton já destacou bem, mas fica aí o exemplo e empenho de Carol como incentivo para outras garotas serem futuras jogadoras. Futuras goleiras.

Confira o Presença Feminina, destacando os momentos da Muralha Carol, no treino realizado pelos Muralhas de Campina Grande - 03/04/2019.

 
 
 

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